sexta-feira, 18 de novembro de 2011

AME COM CORAGEM

Uma mulher não perdoa uma única coisa no homem:

que ele não ame com coragem.



Pode ter os maiores defeitos, atrasar-se para os compromissos ...

Qualquer coisa é admitida, menos que não ame com coragem.



Amar com coragem não é viver com coragem.

É bem mais do que estar aí.



Amar com coragem não é questão de estilo, de opinião.

Amar com coragem é caráter.


Vem de uma incompetência de ser diferente.


Amar para valer, para dar torcicolo.



Não encontrar uma desculpa ou um pretexto para se adaptar.

Não usar atenuantes como “estou confuso”.


Amar com fúria, com o recalque de não ter sido assim antes.


Amar decidido, obcecado,


como quem troca de identidade e parte a um longo exílio.


Amar como quem volta de um longo exílio.


Amar quase que por, por bebedeira,


Amar desavisado . Amar desatinado, pressionando,



a amar mais do que é possível lembrar.

Amar com coragem, só isso.


Fabrício Carpinejar

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A EXTRAORDINÁRIA BORBOLETA


"O AMOR É O RIDÍCULO DA VIDA...
A GENTE PROCURA NELE UMA PUREZA IMPOSSÍVEL...
UMA PUREZA QUE ESTÁ SEMPRE SE PONDO... INDO EMBORA
A VIDA VEIO E ME LEVOU COM ELA...
SORTE É SE ABANDONAR E ACEITAR ESSA VAGA IDEIA DE PARAÍSO QUE NOS PERSEGUE...
BONITA E BREVE...
COMO BORBOLETAS QUE SÓ VIVEM VINTE QUATRO HORAS...
MORRER NÃO DÓI..."

CAFAJESTE


Olha, dizem que a pior espécie de homem são os cafajestes, o dicionário define cafajeste de uma forma ruim... Define como APROVEITADOR... Define como PILANTRA... Pois aos poucos conquista e ou nem percebe... Mas me desculpe os autores do dicionário... Pois o nosso CAFAJESTE não tem nada a ver com essas definições... Define-se como o cafajeste adorável... Ser cafajeste não é defeito, e nada mais gostoso é ser chamado de CAFAJESTE por uma mulher... Não é o cafajeste " cafajeste "... Mas sim o CA-FA-JES-TE... É o único, incomparável, insubstituível... Sem definições é "O CAFAJESTE"... Digamos que o Cafajeste é o pós-graduado do sem-vergonha, mais não é o cafajeste cochorrão, aquele que abandona a mulher, mais sim aquele que sabe administrar todas. Na verdade já foi comprovado, os cafajestes na sua maioria são administradores...



Pois demonstra que esse CAFAJESTE é difícil de conter, é amado, é querido, é amigo, é verdadeiro, é lindo... Pois a beleza é primordial aos CAFAJESTES... O CAFAJESTE é o nível máximo de todas as categorias, pois o cafajeste nunca se envolve, não anda de mão dada, e não utiliza de bens matérias para impressionar uma garota. Usa suas viagens, o ar misterioso é o charme, o cafajeste já se antecipa que não presta... Falando nisso, cafajeste não mente. Se disser que vai jogar futebol, joga. Questionado se sai com outras, abre o jogo. Quando diz que a garota é especial, é porque ela é... O cafajeste nunca se envolve com a mulher de algum amigo ou cara bacana... Cafajeste não tem medo de nenhuma mulher.

Resumindo ser CAFAJESTE É PARA POUCOS... E O VERDEIRO CAFAJESTE AMA TAMBÉM.

domingo, 13 de novembro de 2011

A VACA


SOU DA GERAÇÃO DO DESBUNDE!

NUNCA TIVE SACO PRA MILICO, DESFILE GENTE COM MEDO...
TODO MUNDO FICAVA PARALISADO MUDO ANESTESIADO...
NÃO DAVA PRA FINGIR QUE NÃO TINHA NADA!
PRA MUDAR ALGUMA COISA, A GENTE TEVE QUE GRITAR, SE DROGAR
IR PRA RUA... E ENFRENTAR NOSSA PRÓPRIA FRAQUESA ERA UMA MANEIRA DE NÃO SE RENDER... E NÃO FICAR CARECA, CARETA...

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O haver


Resta, acima de tudo, essa capacidade de ternura
Essa intimidade perfeita com o silêncio
Resta essa voz íntima pedindo perdão por tudo- Perdoai-os!
porque eles não têm culpa de ter nascido...
Resta esse antigo respeito pela noite, esse falar baixo
Essa mão que tateia antes de ter, esse medo
De ferir tocando, essa forte mão de homem
Cheia de mansidão para com tudo quanto existe.
Resta essa imobilidade, essa economia de gestos
Essa inércia cada vez maior diante do Infinito
Essa gagueira infantil de quem quer exprimir o inexprimível
Essa irredutível recusa à poesia não vivida.
Resta essa comunhão com os sons, esse sentimento
Da matéria em repouso, essa angústia da simultaneidade
Do tempo, essa lenta decomposição poética
Em busca de uma só vida, uma só morte, um só Vinicius.
Resta esse coração queimando como um círio
Numa catedral em ruínas, essa tristeza
Diante do cotidiano; ou essa súbita alegria
Ao ouvir passos na noite que se perdem sem história.
Resta essa vontade de chorar diante da beleza
Essa cólera em face da injustiça e o mal-entendido
Essa imensa piedade de si mesmo, essa imensa
Piedade de si mesmo e de sua força inútil.
Resta esse sentimento de infância subitamente desentranhado
De pequenos absurdos, essa capacidade
De rir à toa, esse ridículo desejo de ser útil
E essa coragem para comprometer-se sem necessidade.
Resta essa distração, essa disponibilidade, essa vagueza
De quem sabe que tudo já foi como será no vir-a-ser
E ao mesmo tempo essa vontade de servir, essa
Contemporaneidade com o amanhã dos que não tiveram ontem nem hoje.
Resta essa faculdade incoercível de sonhar
De transfigurar a realidade, dentro dessa incapacidade
De aceitá-la tal como é, e essa visão
Ampla dos acontecimentos, e essa impressionante
E desnecessária presciência, e essa memória anterior
De mundos inexistentes, e esse heroísmo
Estático, e essa pequenina luz indecifrável
A que às vezes os poetas dão o nome de esperança.
Resta esse desejo de sentir-se igual a todos
De refletir-se em olhares sem curiosidade e sem memória
Resta essa pobreza intrínseca, essa vaidade
De não querer ser príncipe senão do seu reino.
Resta esse diálogo cotidiano com a morte, essa curiosidade
Pelo momento a vir, quando, apressada
Ela virá me entreabrir a porta como uma velha amante
Mas recuará em véus ao ver-me junto à bem-amada...
Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo
Infantil de ter pequenas coragens.
 
Vinícius de Moraes