Não oprimir os seres!
To bem longe desse nível de evolução, mas andei um pouquinho na direção de ser uma pessoa melhor, quando resgatei Matilda. Depois não sabia mais como viver sem ela e só descobri que precisava tanto dela, porque descumpri a promessa que tinha feito para mim mesmo, de nunca mais pegar cachorros na rua. Não sei bem se o nome veio do filme, da tirinha argentina ou da poeta portuguesa.
Me salvou tantas vezes, não se importou quando estava falido, sozinho e triste. Ficou do meu lado nos piores momentos, no isolamento companheira inseparável. Não me espantei quando descobriram que seu coração era grande demais. Isso é bem a cara dela, exagerar, ultrapassar os limites. Existem aqueles que já sabemos que vão morrer de amor ou de coração grande. Tilda é dessas, que merecem morrer sem sofrimento, em paz, rápido e sem lamentar, prêmio concedido só para os mais corajosos, que cumpriram com maestria sua missão na terra e amaram incondicionalmente por toda vida.
Perseguia gatos, mas eu tenho a impressão que não saberia bem o que fazer, se um dia pegasse um. Ela não era muito rápida a ponto de tornar-se uma caçadora e nunca se importou muito com minhas criticas, de como essa guerra entre cães e gatos, era clichê e fora de moda. Quando não conseguia mais subir na minha cama, passei a puxa-la pra cima, no colo. O boxer mais boxer que já vi, desengonçada e com aquela cara de besta, de quem acredita que todos os problemas do mundo serão resolvidos com salsicha. Ah, se pudéssemos resolver toda dor e injustiça do mundo, com embutidos pré cozidos, como acreditam os cães. E por falar em coisas gostosas, que não fazem bem pra saúde. Sei de uma história. Sim, eu sei que repito essa mesma narrativa para todos os meus amigos que perderam seus cães, na esperança de consola-los. Mas, ouvi dizer que o céu dos cachorros é infestado de plantações de pé de salsicha, e come-las não faz mal pra saúde dos bichos, as árvores são baixinhas, para que todas as qualidades de cachorros consigam pegar as guloseimas, até os menores, de perna bem curtinha.
Eu também prefiro acreditar, que quando eu morrer serei recebido por matilhas de cães abanando seus rabos e lambendo meu nariz. Será uma estratégia, para nos ajudar a desapegar de tudo que deixamos?
À receba São Francisco, com carrinho atrás da orelha até que ela durma, pelo menos nesses primeiros dias. Ela precisa de um travesseiro, pois dorme feito gente, com cabeça mais altinha, é melhor pra respirar.
Não sei como foi a vida dela até seus dois anos, mas espero que eu tenha deixado tudo um pouco melhor e que ela tenha ido acreditando um pouco mais na raça humana. Eu não acredito! Porem nunca matei a esperança nela, ela amou qualquer um. Naquele dia que parei o carro na BR e coloquei ela no banco da frente, toda minha vida mudou. Fui pego desprevenido com seus oito filhotes que vieram de brinde, gastei quase todo o salário do mês no parto, papinhas e tapetes higiênicos. Nesse momento só consigo lembrar os nomes dos filhos mais irreverentes de Matilda, Chubaka; Emelly; Zoe. Todos doados com sucesso, só pra gente legal.
Cachorrinha do achados e perdidos, ainda bem que fracassei em encontrar seu verdadeiro dono, azar o dele, ponto pra mim.
Até a próxima!
To bem longe desse nível de evolução, mas andei um pouquinho na direção de ser uma pessoa melhor, quando resgatei Matilda. Depois não sabia mais como viver sem ela e só descobri que precisava tanto dela, porque descumpri a promessa que tinha feito para mim mesmo, de nunca mais pegar cachorros na rua. Não sei bem se o nome veio do filme, da tirinha argentina ou da poeta portuguesa.
Me salvou tantas vezes, não se importou quando estava falido, sozinho e triste. Ficou do meu lado nos piores momentos, no isolamento companheira inseparável. Não me espantei quando descobriram que seu coração era grande demais. Isso é bem a cara dela, exagerar, ultrapassar os limites. Existem aqueles que já sabemos que vão morrer de amor ou de coração grande. Tilda é dessas, que merecem morrer sem sofrimento, em paz, rápido e sem lamentar, prêmio concedido só para os mais corajosos, que cumpriram com maestria sua missão na terra e amaram incondicionalmente por toda vida.
Perseguia gatos, mas eu tenho a impressão que não saberia bem o que fazer, se um dia pegasse um. Ela não era muito rápida a ponto de tornar-se uma caçadora e nunca se importou muito com minhas criticas, de como essa guerra entre cães e gatos, era clichê e fora de moda. Quando não conseguia mais subir na minha cama, passei a puxa-la pra cima, no colo. O boxer mais boxer que já vi, desengonçada e com aquela cara de besta, de quem acredita que todos os problemas do mundo serão resolvidos com salsicha. Ah, se pudéssemos resolver toda dor e injustiça do mundo, com embutidos pré cozidos, como acreditam os cães. E por falar em coisas gostosas, que não fazem bem pra saúde. Sei de uma história. Sim, eu sei que repito essa mesma narrativa para todos os meus amigos que perderam seus cães, na esperança de consola-los. Mas, ouvi dizer que o céu dos cachorros é infestado de plantações de pé de salsicha, e come-las não faz mal pra saúde dos bichos, as árvores são baixinhas, para que todas as qualidades de cachorros consigam pegar as guloseimas, até os menores, de perna bem curtinha.
Eu também prefiro acreditar, que quando eu morrer serei recebido por matilhas de cães abanando seus rabos e lambendo meu nariz. Será uma estratégia, para nos ajudar a desapegar de tudo que deixamos?
À receba São Francisco, com carrinho atrás da orelha até que ela durma, pelo menos nesses primeiros dias. Ela precisa de um travesseiro, pois dorme feito gente, com cabeça mais altinha, é melhor pra respirar.
Não sei como foi a vida dela até seus dois anos, mas espero que eu tenha deixado tudo um pouco melhor e que ela tenha ido acreditando um pouco mais na raça humana. Eu não acredito! Porem nunca matei a esperança nela, ela amou qualquer um. Naquele dia que parei o carro na BR e coloquei ela no banco da frente, toda minha vida mudou. Fui pego desprevenido com seus oito filhotes que vieram de brinde, gastei quase todo o salário do mês no parto, papinhas e tapetes higiênicos. Nesse momento só consigo lembrar os nomes dos filhos mais irreverentes de Matilda, Chubaka; Emelly; Zoe. Todos doados com sucesso, só pra gente legal.
Cachorrinha do achados e perdidos, ainda bem que fracassei em encontrar seu verdadeiro dono, azar o dele, ponto pra mim.
Até a próxima!
